Primeiramente devemos nos situar a respeito dos conceitos referentes a software livre, que na prática pode ser definido como: programa de computador de código livre, no sentido de se poder modificá-lo, alterá-lo, distribuí-lo e inclusive vendê-lo, sem que isso vá implicar em processos por violação de direitos autorais, que poderiam existir no caso de softwares proprietários. A utilização de programas desta natureza, como o sistema operacional Linux, reduz custos com aquisição de programas, licenciamento e aluguel dos mesmos, o que nos leva a pensar: o valor que seria aplicado no licenciamento de programas é reinvestido em outras áreas, como por exemplo, nos setores de pesquisa.
Podemos observar muitos casos de sucesso na utilização de programas livres, como é o caso do governo do estado do Rio Grande do Sul, que substituiu sistemas proprietários por semelhantes livres, tendo como conseqüência uma diminuição drástica de gastos em aplicativos e hardware. O sucesso de software livre é inegável, porém é no setor social, que se pode perceber um maior beneficio.
Neste setor podemos observar algumas das potencialidades desta filosofia. A idéia é: disseminar conhecimento a cerca da tecnologia, para que a sociedade, independente de classe, cor ou religião, possa ter um contato inicial de computação e que sejam instigados a conhecer mais a respeito. Conhecimento esse, que se torna quase obrigatório quando falamos, por exemplo, em se conseguir um emprego, visto que familiaridade com informática é quase sempre um requisito obrigatório em qualquer processo seletivo.
Tudo isso é possibilitado através das reduções de custos, que encorajam muitas empresas, ONGs e grupos a promover e incentivar projetos de inclusão social, inclusive o próprio governo federal, que se utilizam da tecnologia de software livre para realizar assim a tão esperada democratização tecnológica, que se faz necessária em nosso país subdesenvolvido, e com profundos abismos sociais. No Brasil há uma tendência criada por parte do governo que incentiva a utilização de software livre. Por meio de seus órgãos, ministérios e até mesmo nos projetos sociais: a razão óbvia é a redução dos gastos com licenciamento de programas, o que por si só, já é um ponto positivo para nós brasileiros.
Devemos salientar que nem sempre a melhor saída é o software livre, existem algumas áreas de aplicação para as quais alternativas gratuitas ainda não tem "maturidade" suficiente para competir com softwares comerciais. É claro que o caso contrário também é verdadeiro: existem situações onde o software livre se comporta melhor do que software comercial, ou seja, são mais robustos, flexíveis e gerenciam melhor aplicações críticas, como no caso dos servidores de internet. Porém no caso de aplicações para fins didáticos e disseminação de conhecimentos, a utilização destes softwares devem ser profundamente incentivados, uma vez que eles são de fácil acesso e isentos de licenças comerciais.
Como profissionais de informática, temos por obrigação entender um pouco de cada área e claro, definir um foco de onde se especializar. Porém, como brasileiros, devemos atentar para os problemas sociais que nos cercam e incentivar atividades de inclusão digital e social, independente de plataforma ou filosofia. E aí podemos falar um pouco sobre o Projeto Casa Brasil, um projeto do governo federal que em algumas cidades funciona em parceria com os governos municipais, como é o caso da Casa Brasil situada na cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná.
Casa Brasil tem como principal objetivo reduzir a desigualdade social em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano, levando para esses locais um espaço que privilegia a formação e a capacitação em tecnologia aliada à cultura, arte, entretenimento e participação popular, com forte apoio à produção cultural local. Superando os conceitos de inclusão digital vigentes, o Projeto Casa Brasil não leva somente computadores e conectividade. O projeto permite que a comunidade se aproprie da sua unidade, transformando-a em um espelho cultural do local em que foi implementada, concedendo também aos cidadãos a liberdade de decidir, via conselho gestor, os rumos das atividades que são oferecidas aos freqüentadores.
